prática social reflexiva

“Ele trabalha com aquilo que ele é para ajudar o outro a ser aquilo que pode se tornar.”

Instituto Fonte, 2006

 

Proteus

Protéia, símbolo da Africa do Sul e das transformações da vida.

Meu trabalho como facilitador, como escritor e como ativista político tem como principal referência a abordagem criada por Alan Kaplan, diretor da organização Sul-Africana Proteus Initiative, que no Brasil é difundida principalmente pelo Instituto Fonte.

Esta abordagem de trabalho, também chamada de prática social reflexiva, se baseia em um modo radicalmente vivo de pensar e agir, que busca uma integração radical entre o que se diz e o que se faz em processos de desenvolvimento humano. O video abaixo apresenta os elementos centrais desta abordagem:

profides_logo_3

 

O texto abaixo foi elaborado pelo Instituto Fonte em 2006, e apresenta o conceito de desenvolvimento com o qual eu atuo.

A expressão “profissional de desenvolvimento” é usada para designar qualquer pessoa que trabalha primariamente pelo desenvolvimento social no país. Esse profissional pode ter formações diversas, atuar em diferentes cargos, organizações, áreas e setores, mas enfrenta sistematicamente um grande desafio: promover e ajudar a melhoria das relações entre as pessoas e contribuir para que a sociedade expanda sua consciência acerca de suas decisões e alcance melhor qualidade de vida.

Qualquer profissional de desenvolvimento lida com situações complexas, com tensão e multiplicidade de interesses, busca promover a participação e a autonomia dos grupos com os quais trabalha, se mantém interessado em compreender o contexto em que vive e em ampliar o efeito de sua atuação prática. Um profissional de desenvolvimento lida cotidianamente com significado, com valor humano, com a concepção de desenvolvimento, de liberdade e de autonomia.

Ele trabalha com aquilo que ele é para ajudar o outro a ser aquilo que pode se tornar.

Muitas manifestações de pessoas que se vêem como profissionais de desenvolvimento têm chegado até o Instituto Fonte e é surpreendente constatar a diversidade de circunstâncias em que atuam. Vindas do Brasil todo, essas manifestações estão nos permitindo responder a perguntas como: O que é trabalhar com desenvolvimento no Brasil?, Quem está fazendo isso?, Como?, Que realidade esses profissionais vivem?, Que perguntas têm?, Que importância tem o trabalho que desenvolvem?, Como se sustentam?, Como apoiá-los?, Como se atualizam?, Onde se encontram?, Como são considerados?, O que os fortalece?, Que impulso representam?.

Temos concluído que esses profissionais tendem a ser pessoas indignadas, idealistas, polivalentes, voltadas para a ação, criativas (de fato, atuam como co-criadoras de uma nova realidade), conectadas e em busca (movidas por perguntas, a caminho, por assim dizer). Tem-nos instigado muito a questão “O que é maestria para um profissional de desenvolvimento?”.

No Instituto Fonte, acreditamos que o maior valor que podemos agregar à sociedade atualmente é fortalecer a atuação de profissionais de desenvolvimento e a de iniciativas sociais.

Entendemos que a atuação de ambos está relacionada: quanto mais maduro um profissional de desenvolvimento, maior capacidade ele terá de influir no amadurecimento das iniciativas sociais com as quais trabalha; quanto mais forte uma iniciativa social, maior tende a ser o alcance do trabalho dos profissionais de desenvolvimento a ela vinculados.

As iniciativas sociais podem atuar como uma espécie de “fermento” na sociedade, provocando alterações que sem sua existência poderiam demorar muito mais tempo para acontecer; elas mesmas tendem a se tornar a expressão de algo novo que emerge no seio da própria sociedade. Um bom conjunto de iniciativas sociais “desperta” a sociedade para aquilo que ela ainda pode se tornar e para aquilo que ela não deve mais fazer. Também ajudam no processo de transição, por meio do confronto e do apoio.

Uma grande questão que preocupa muitos investidores na área social é como potencializar a atuação e o impacto de iniciativas sociais. Voltadas primariamente a “promover desenvolvimento”, muitas iniciativas sociais acabam se esquecendo de si mesmas quando orientadas em excesso para “o outro”; de repente, vêem-se em situações que não gostariam de estar, insustentáveis. Isso compromete a sua atuação no longo prazo ou, dizendo de outra forma, no mínimo limita o seu potencial.

Toda e qualquer iniciativa social se estabelece e luta para manter um equilíbrio entre “desenvolver-se” e “promover desenvolvimento”. Pode-se afirmar que o potencial de uma iniciativa social é a expressão deste equilíbrio em cada momento de sua vida. Para potencializar uma iniciativa social, portanto, é preciso investir nas duas direções e, mais importante, na habilidade de sustentar os dois movimentos simultaneamente.

Sustentar, interiormente, a tensão entre “desenvolver-se” e “promover desenvolvimento” não é, também, uma capacidade essencial do profissional de desenvolvimento?

Instituto Fonte, janeiro de 2006.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s