Nutrindo o Desenvolvimento de Novos Políticos

Relato de um encontro para fortalecer candidaturas inovadoras na Rede Sustentabilidade.ElementosCampanhaVirtuosaParticipei como observador do I Congresso Nacional da Rede Sustentabilidade, e no o I Encontro Nacional de Juventude em Rede que o antecedeu. Os dois encontros me surpreenderam positivamente pela qualidade humana e das ideias ali presentes, principalmente com as novas lideranças que surgem como expressões vivas de uma nova maneira de fazer política.

“Reencantado” pela nova geração da Rede, tomei a iniciativa de realizar uma iniciativa autoral imediata com alguns candidatos. A oficina ocorreu 7 dias depois, em 25 e 26 de maio em São Paulo.

Os objetivos foram:

  • Fortalecer a identidade (propósito e narrativa) de cada candidato e campanha, tornando mais conscientes as virtudes fundamentais os sustentam.
  • Aprimorar as visões estratégicas de cada campanha e aprimorar os caminhos para torna-las efetivas.
  • Potencializar e compartilhar inovações já em desenvolvimento pelos candidatos/campanhas.
  • Nutrir o desenvolvimento pessoal dos candidatos, oferecendo exercícios de autoconhecimento integrado às suas práticas políticas.
  • Desenvolver competências de comunicação social.
  • Compartilhar as aprendizagens e inovações com outros candidatos inovadores da Rede Sustentabilidade.

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Após a apresentação de cada participante, realizamos um diagnóstico de cada campanha com apoio de um mapa mental elaborado por mim para subsidiar esta atividade, numa exposição dialogada de aproximadamente 90 minutos sobre este conjunto. Em seguida formamos subgrupos que diagnosticaram cada campanha à luz deste mapa, identificando os principais limites, possibilidades e desafios. Para isso utilizando algumas técnicas específicas de diálogo.

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A partir destes diagnósticos, realizamos uma sequência de atividades voltadas ao desenvolvimento pessoal de cada candidato, com exercícios para que candidato pudesse expandir sua percepção sobre si mesmos em relação ao contexto de sua campanha e sua história de prática política. Este exercício gerou um campo de confiança e abertura, que nos permitiu dialogar sobre os principais desafios pessoais, bem como contradições e vulnerabilidades de cada um em seus contextos. Em conexão com os sentimentos que emergiram deste dialogo, lapidamos esta consciência expandida por meio de exercícios de autoconhecimento através da arte, buscando insumos de inspiração para superação destes desafios.

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Cada participante foi convidado a identificar uma questão fundamental para seu próprio desenvolvimento no contexto de sua campanha. Emergiram perguntas que revelam a fundamental importância de integrar o exercício de auto-conhecimento como virtude da prática política: “Quem penso que sou para querer omitir ao mundo meu talento para política?”, “Como como ampliar meu discernimento sobre minha vocação política?”, “Além de credibilidade, como transmitir minhas emoções?”.

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Assim entramos em contato com a humanidade de cada candidato de modo integral: “amassamos o nosso próprio barro”, e concluímos esta etapa compartilhando as principais aprendizagens em plenária. Este processo gerou um ambiente de conexão verdadeira e sincera entre todos os participantes, e com um vívido sentimento de unidade buscamos identificar as virtudes fundamentais que precisam ser desenvolvidas em nossas práticas, individual e coletivamente.

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Abertura, ousadia, coragem e prudência, generosidade e persistência foram algumas destas virtudes mais expressivas. A palavra “amor” fez-se especialmente presente neste momento da conversa, a qual ressaltei como uma “virtude-mãe” das virtudes fundamentais que buscamos em nossas práticas. (Hoje faz uma semana que a oficina ocorreu, e tenho meditado muito sobre este tema …  sinto que seria válida uma maior reflexão sobre a o lugar que o Amor ocupa em nossa vida política).

A presença deste “amor” também trouxe momentos de “humor”, e pudemos rir um pouco dos nossos próprios limites e medos:

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Partindo deste lugar de acolhimento mútuo, numa atitude aberta, amorosa e integrada, retornamos nossas atenções para as campanhas e como potencializá-las. Perguntei então: Tendo em vista estas virtudes, que necessidades fundamentais de nossas campanhas necessitamos atender nas próximas semanas? Priorizamos 4 necessidades e montamos mesas abertas e interativas de trabalho, 1 para cada necessidade, nas quais trocamos e aprimoramos as ideias e propostas já em curso. Estas propostas foram então compartilhadas e discutidas em plenária, gerando alguns desdobramentos práticos para as campanhas:

  • Como captar recursos para as campanhas? Esta é a grande limitação da maioria dos participantes. Algumas atualizações sobre limites e possibilidades legais para financiamento coletivo de campanhas foram compartilhados, e a principal solução identificada foi o compartilhamento de recursos entre campanhas, de modo a praticar a cooperação fraterna entre candidatos. No entanto ainda permaneceram muitas dúvidas e inseguranças, inclusive legais, sobre este aspecto – um subsídio importante que a própria Rede poderia oferecer a todos os seus candidatos. Todavia, fica evidente que a captação de recursos é a consequência da capacidade de um candidato e sua base social convencerem-se a si mesmo e a outras pessoas da pertinência e da possibilidade real desta candidatura lograr um bom resultado.

 

  • Como construir uma plataforma virtual adequada? Partindo da necessidade específica de uma campanha com poucos recursos e alta capacidade de mobilização social (Zé Gustavo / SP), foram definidas diretrizes de simplificação da estratégia virtual, para que a mesma seja adequada à adesão das pessoas a partir das relações sociais presenciais. Apostando no potencial mobilizador do candidato e de suas propostas inovadoras, o papel desta rede social seria inicialmente permitir a conexão de apoiadores através de uma estrutura simples e integrada, com a função principal de apoiar a organização territorial e temática de processo emergentes autônomo, apostando principalmente no protagonismo das pessoas. Em segundo momento, com os devidos recursos e planejamentos, partindo desta efetiva base social em desenvolvimento e de acordo com os recursos disponíveis, se necessário pode ser realizada uma ação de ampla divulgação da candidatura nas redes sociais.

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  • Como melhor gerenciar as equipes de campanha? Os participantes, inspirados na abordagem Agile (métodos ágeis de gestão de projetos), estabeleceram um modelo de ciclos curtos (sprints de 1 ou 2 semanas) de planejamento, execução e colheita (avaliação e celebração). O principal ponto forte desta abordagem, em tese, será a constante atualização do contexto e adequação da estratégia de campanha aos limites e possibilidades internos e externos, bem como o estabelecimento de metas exequíveis em curto prazo que tornam mais leve e dinâmico o processo organizacional. Esta inovação já está sendo implementada com a equipe de pré-campanha de Jayro Gabriel (RS), e sendo a experiência bem avaliada nas próximas duas semanas, a metodologia será ensinada aos demais do grupo que se interessarem em aplicá-la.
  • Como fortalecer as inovações de candidaturas de novos políticos da Rede Sustentabilidade? Este subgrupo buscou explorar a possibilidade de continuidade ao trabalho iniciado, com ênfase na potencialização das inovações, tais como as Oficinas Intergeracionais (Jayro Gabriel / RS); as diversas tecnologias virtuais (a exemplo do Mapa Sustentabilidade – André Lima/DF); novas abordagens e metodologias de diálogo e deliberação (a exemplo da proposta de deliberações “código aberto” de João Francisco/DF); e a ousada inovação dos Co-Deputados em fase piloto na campanha de Zé Gustavo – SP. O grupo entendeu que algumas inovações em fase de incubação (em especial o projeto dos co-deputados) precisam de cuidado redobrado ao serem reaplicadas, tendo em vista que as mesmas requerem condições apropriadas para que possam ser corretamente implementadas e não provocarem efeitos inversos aos desejados.

O encaminhamento destas questões levou a uma questão de identidade: quem é este grupo? Haviam diferentes entendimentos sobre sua natureza, haja visto que o impulso de realização deste encontro partiu de um contexto maior do que o próprio grupo – a Rede Sustentabilidade. O diálogo evoluiu considerando as diretrizes de organização discutidos na Convenção Nacional (Como integrar os processos verticais e horizontais que constituem a Rede Sustentabilidade?) e o grupo identificou esta como sendo um exemplo de atividade horizontal (que poderia ser reconhecido como um piloto do FAZ, a depender das próximas definições de organização da Rede).

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Do início (desde o convite) ao fim desta oficina esteve latente a vontade de todos os participantes de expandir estes conhecimentos para além do grupo, potencializando outras candidaturas. Cuidamos do assunto na penúltima etapa da oficina. Compreendemos que, por se tratar de uma iniciativa sem recursos financeiros, os limites impelem que este trabalho por hora esteja concentrada nestas 6 campanhas presentes durante a oficina, além de outras 2 nas quais já estou apoiando (Leonardo Secchi / SC e André Lima / DF) cujos candidatos não puderam estar presentes nesta data. Ficou entendido que é desejável que cada membro individualmente faça bom uso destas aprendizagens para apoiar o  outros candidatos e campanhas.

Este momento da oficina suscitou algumas divergências sobre como integrar esta iniciativa com as instâncias verticais da Rede, principalmente por considerar que pode haver ampla necessidade por subsidiar candidaturas com este tipo de conhecimento e inovações. A divergência foi superada quando todos aceitamos a realidade de que não cabe a este grupo cuidar de todas as candidaturas da Rede. Consentimos então que o caminho correto seria tornar o mais transparente possível este processo, e disponibilizar os conhecimentos gerados nesta experiência para a Comissão Executiva Nacional, e deliberamos que eu faria este relato a mesma possa avaliar a pertinência ou não de seu compartilhamento com outros membros e candidatos.

Cândido Azeredo e eu nos responsabilizamos por prosseguir como animadores / facilitadores / formadores deste grupo, que por hora segue sem uma identidade definida, porém em constante interação com vistas ao compartilhamento de ideias, recursos e ajuda mútua entre seus participantes.

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O primeiro dia da oficina foi então concluído, com uma rodada de falas finais que revelou satisfação de todos os presentes com o processo e os resultados alcançados, e intensas expressões de entusiasmo e esperança no potencial de transformação que esta iniciativa propiciou. Já o segundo dia tratou de uma oficina de Poder Pessoal, coordenado pelo professor em comunicação Léo Artése, numa oficina de 8 horas de duração voltada exclusivamente à formação individual dos candidatos e alguns colaboradores em desenvolvimento de competências comunicacionais. Por se tratar de competências específicos oferecidos pelo próprio profissional, os mesmos ficam circunscritos à experiência dos participantes. Mas a avaliação positiva de todos os membros nos deixa a recomendação de que outras oficinas semelhantes sejam realizadas com membros da Rede Sustentabilidade.

Toda a atividade foi realizada com recursos próprios dos participantes, incluindo-se as passagens aéreas, estadia, alimentação, transporte, uso do espaço – custos estes que não foram contabilizados por serem individuais, não havendo despesas operacionais de projeto. O custo dos 3 profissionais dedicados (Eduardo Rombauer, Cândido Azeredo e Amanda Gambale), considerando-se um valor-hora nos parâmetros médios de mercado de R$ 250/ hora, para um total de 55 horas de dedicação, foi de R$ 13.750,00, valor integralmente doado à esta iniciativa pelos profissionais. O custo pela oficina de Poder Pessoal foi de R$ 1.500,00, que estão sendo compartilhados entre 3 dos 8 participantes do segundo dia da oficina.

Participantes da Oficina:

  • Pré-Candidatos: Jayro Gabriel (RS); Zé Gustavo e Alessandra Monteiro (SP); Eduardo Reiner (PR); Rafael Boff (TO); João Francisco (DF).
  • Colaboradores afiliados à Rede: Kayo Amado e Rangel Mohedano (SP).
  • Colaborades conectados à Rede: Amanda Gambale (SP), Cândido Azeredo (RJ) e Guilherme Viegas (RS)

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