180 PERGUNTAS PARA AJUDAR NA CONSTRUÇÃO DE UM NOVO MOVIMENTO POLÍTICO NO BRASIL – E NENHUMA RESPOSTA (AINDA)

Neste momento, a única coisa que temos – esta preciosa matéria-prima da criação – são interrogações. Não temos respostas, amigos e amigas. Só o que temos são estas perguntas! Não é possível inventar um movimento fora de um processo de criação coletiva. Porque a solução surgirá do processo de buscar a solução.

No dia 13 de setembro, em Brasília, vamos organizar o processo de construção do movimento. Esta é a tarefa primordial das pessoas que propulsionam esta discussão. Este movimento precisa ser radicalmente democrático ou não será um movimento por uma nova forma de fazer política. Um rico e diverso processo de debate construirá o movimento – ou não teremos movimento!

Quem somos?

Quem são as pessoas que iniciam este movimento?

Quantos somos?

Quem são as pessoas que queremos convocar para estar conosco?

Essas pessoas são políticos, intelectuais, artistas, lideranças comunitárias, empresários? São formadores de opinião? São pessoas de destaque e influência ou são cidadãos comuns? Essas diferenças de perfil importam?

Somos um grupo diverso? Queremos ser diversos?

Onde estão essas pessoas? Elas sabem o que estamos querendo fazer? Elas foram chamadas a estar conosco?

Quando vamos convocar as pessoas para construir junto conosco este movimento?

Quando vamos reconhecer que somos o que queremos ser?

Movimento – O que somos?

Qual é a identidade do movimento?

O que é comum a todos deste movimento? O que nos une?

Que tipo de movimento nos interessa construir?

Este é um movimento composto somente por pessoas? Ou somente por instituições? Ou por pessoas e instituições?

Queremos que seja um movimento de cidadania? Queremos que seja um movimento de massa?

Vamos unir forças com outros movimentos? Faremos parte de outros movimentos?

Este movimento é para ser duradouro?

O movimento que queremos construir é político-partidário? Queremos construir um partido?

O movimento que queremos construir deve ser suprapartidário?

O movimento deve superar a noção de partido e constituir-se de maneira alternativa ao modelo partidário? O movimento é extrapartidário? O movimento é pós-partidário?

O que diferenciará este movimento de outros com discursos e propósitos semelhantes?

O que significa esta palavra: “movimento”? Será que o termo “movimento” designa mesmo o que queremos construir? O que queremos construir pode ser identificado por outro nome?

Qual nome será capaz de nomear e identificar este movimento?

Quem irá formular o nome do movimento? Quem definirá o nome do movimento?

Propósitos do movimento – quais são?

Qual a razão de existir do movimento?

Quais são as causas e bandeiras do movimento?

Quais são os objetivos do movimento no longo prazo? E no médio prazo? Quais são os objetivos de curto prazo do movimento?

Quais são os resultados que o movimento pretende alcançar no longo, no médio e no curto prazos?

Princípios – quais são?

Quais são os valores e ideias-força do movimento?

A democracia, a sustentabilidade, a igualdade, a liberdade, a diversidade são valores deste movimento?

Temos o mesmo entendimento do que significa democracia?

A horizontalidade é um valor deste movimento? O que significa “horizontalidade”?

Dentro do movimento teremos pessoas com prerrogativas especiais? A isonomia é um princípio do movimento?

A fidelidade ao movimento é um valor para o movimento? O que seria ser “fiel” ao movimento?

O movimento é não-violento? O recurso à violência seria aceitável para alcançarmos nossos objetivos?

A desconcentração do poder é uma ideia-força do movimento?

O chamado “centralismo democrático” é uma ideia-força do movimento?

O movimento é socialista? O movimento defende a superação do modo de produção capitalista?

O movimento é ecossocialista?

O movimento reconhece a validade dos princípios da economia de mercado e atuará no âmbito de seus marcos políticos e econômicos?

O movimento pretende-se de esquerda e se alinha ao lado dos movimentos de esquerda? O movimento pretende superar essa topologia política que opõe direita e esquerda?

O movimento considera que a discussão sobre esses temas está resolvida? O movimento pretende debater o assunto?

Quem irá formular os princípios e valores do movimento? Quem definirá os princípios e valores do movimento? Como isso será feito?

Métodos – como o movimento pretende alcançar seus objetivos?

O movimento pretende influenciar decisões políticas? Como?

O movimento atuará prioritariamente no âmbito da sociedade civil?

O movimento vai criar e financiar associações e ONGs?

O movimento atuará junto às empresas? O movimento atuará junto aos sindicatos? O movimento atuará junto às igrejas?

A via parlamentar será a estratégia principal de atuação política do movimento?

O movimento apoiará candidatos de diversos partidos? O movimento apoiará candidatos de qualquer partido? Quais os critérios para o eventual apoio do movimento a um candidato?

O movimento faz campanha? Tem recursos destinados a isso?

O movimento quer chegar ao poder? O movimento pretende ser governo?

O movimento irá operar meios de comunicação?

Organização – qual o organograma do movimento?

Qual será o desenho organizacional do movimento?

O movimento será uma rede? Ou uma rede de redes? O movimento será uma federação? O movimento será uma associação? O movimento será um partido político?

Quais serão as instâncias deliberativas do movimento? Como se dará o processo de tomada de decisão?

Haverá conselhos, colegiados, assembleias? Como será a composição das instâncias deliberativas? Quem poderá participar dessas instâncias?

Poderão ser realizadas consultas virtuais para a tomada de decisão?

As decisões serão por consenso? Por voto da maioria? Se forem por voto da maioria, haverá o direito da minoria se posicionar de outra forma? Haverá espaço para o dissenso?

As reuniões devem ter convocação aberta? Como serão divulgadas?

O movimento terá uma coordenação? Haverá uma diretoria do movimento? O movimento terá presidente? O movimento terá facilitadores?

Haverá reuniões fechadas? A ata das reuniões será divulgada? Serão utilizadas metodologias de diálogo e participação? Quais?

Haverá representação? Quem falará em nome do movimento?

O movimento contará com comissões, grupos de trabalho, coletivos, núcleos, células, círculos?

Haverá níveis distintos de organização, como instâncias municipais, estaduais e nacionais? O movimento terá diretórios como nos partidos? Serão organizados coletivos temáticos e regionais? Serão realizados encontros municipais, estaduais, nacionais?

O movimento será dividido em segmentos (jovens, mulheres, gays, etc)?

O movimento terá uma carta de princípios? O movimento terá regimento, regulamento, normas de conduta? O movimento lançará um manifesto?

O movimento terá alguma instância para avaliar a conduta política de seus membros?

Haverá sanções para quem descumprir os regulamentos e as normas do movimento? Haverá “expulsão” de membros do movimento?

O movimento terá empresas ou ONGs para operar seus serviços e atividades?

Quais serão as fontes de recursos do movimento?

Haverá prestação de contas? Quais informações deverão ser públicas? Quem recebe? Quem doa?

O movimento executará programas, projetos e campanhas?

O movimento terá uma equipe executiva e profissionalizada? Qual será a relação dessa equipe com o restante do movimento? Quem fará parte da equipe? Que tipo de especialização será necessária para alguém integrar uma eventual equipe desse tipo?

Haverá uma plataforma do movimento na internet? Quem e como vai operá-la e administrá-la?

Como iremos avaliar se o movimento está logrando seus objetivos? Como poderemos saber se o movimento pratica os princípios e causas que defende/propõe?

Participação no movimento – como se dará?

Quem poderá participar? Quem não poderá participar do movimento?

Haverá processo de filiação? A filiação exigirá algum rito de ingresso? Haverá critérios de entrada? Haverá a necessidade de aprovar o ingresso de pessoas?

Como se dará a participação das pessoas? Haverá uma lista de direitos e deveres?
Haverá graus diferenciados de poder e autoridade no âmbito do movimento? Haverá hierarquia formal ou informal?

Como os menos experientes poderão acompanhar os mais experientes em política e ter um nível de participação adequado no âmbito do movimento?

Por fim, o mais importante neste momento:

O processo!

Quem irá responder a estas perguntas?

Como vamos responder a estas perguntas?

Quem formulará novas perguntas?

Como se dará o processo de debate dessas questões?

Como vamos estabelecer que chegamos às respostas?

Quem vai decidir sobre isso? Como iremos decidir sobre isso?

Faremos comissões, grupos de trabalhos, coletivos, círculos para discutir esses temas?

Haverá uma coordenação do processo? Como funcionará? Quem ocupará a função? Como decidiremos sobre isso? Se existir, quanto tempo durará essa coordenação?

Será possível falar em nome do movimento durante esse processo de discussão? Se sim, quem o faria?

Como as pessoas poderão contribuir com as discussões durante o processo?

Quando iremos decidir? Qual é o tempo que deverá durar esse debate? Como iremos organizar isso no tempo, na forma de calendário ou agenda?

Quando iremos anunciar que o movimento existe? Quantas destas perguntas terão de ser respondidas antes de fazer o anúncio de que, enfim, existimos?

Quando faremos de novo, a nós mesmos, algumas dessas perguntas?

Com abraços fraternos cheios de dúvidas,

1. Cássio Martinho (Belo Horizonte, MG)
2. Marcela Moraes (São Paulo, SP)
3. Eduardo Rombauer (Brasília, DF)
4. Guta de Franco (Varginha, MG)
5. Lucas Brandão (São Paulo, SP)
6. Rangel Mohedano (São Paulo, SP)
7. Thiago Alexandre Moraes (Limeira, SP)
8. Gabriela Garcia Juns (São Paulo, SP)
9. Marcel Taminato (Brasília, DF)
10. Luciana Valente (Manaus, AM)
11. Enrico Rocha (Fortaleza, CE)

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11 responses to “180 PERGUNTAS PARA AJUDAR NA CONSTRUÇÃO DE UM NOVO MOVIMENTO POLÍTICO NO BRASIL – E NENHUMA RESPOSTA (AINDA)

  1. .
    Caro Eduardo
    Muito boas as perguntas, e melhor ainda a iniciativa de elabora-las e divulga-las !!

    Principalmente neste momento em que assistimos atônitos que o processo de instauração, organização e a necessária organicização do “Movimento” vem caminhando de forma a não se realizar ou, no mínimo, deixando vácuos que estão sendo ocupados pela velha política pragmática.

    Hoje vemos que “lideranças” que deveriam (por coerência entre discurso e prática e pela “responsabilidade histórica”…) estar no processo de construção deste movimento na verdade deixaram de lado conceitos pregados como “Transparência”, “Horizontalidade”, “Tomadas de Decisão Coletivas”, e estão em ágeis processos de negociação puramente pragmática visando as eleições. Conchavos dos mais tradicionais. Interesses de sempre.

    Depois, vão convocar os “marineiros” a apoiar as candidaturas já de antemão acertadas.

    Aos 47 anos sinto dizer: Este filme eu já vi antes.
    Muito triste.
    .

    • Oi Acauã,

      Eu também acho que existem equívocos profundos na forma com que o “Movimento” se iniciou, tenho sido uma das vozes dissonantes. Mas eu passei a ficar muito confiante que o rumo será acertado, em especial pelo que Marina tem sinalizado como caminho para este processo.

      Dia desses ela disse “Precisamos ser generosos – inclusive com os políticos”. Afinal, estas pessoas que estão de alguma forma lidando com a velha política – e não sabem ainda como atuar de modo completamente independente dela – são muito importantes no momento de transição.

      Então, é preciso termos paciência e perseverança, e também confiar na nossa inteligência coletiva. O caos é um bom contexto para provocá-la!

      abraços,
      Eduardo

      • .
        Edu

        Continuo vendo mais do mesmo…

        Sinto que os espaços e silêncios estão sendo destruidores da possibilidade do novo.

        Já ouvi que o Revolucionário é um ser em conflito, pois luta para mudar a sociedade na qual foi formado… Mas nem isso vejo. Percebo mais é roupas novas, circunstanciais, em velhos corpos e costumes….

        Botei a boca no trombone, mas t5á duro de acreditar.

        Abs

        Acauã
        .

  2. Oi Eduardo, são tantas perguntas que provavelmente exigirão outras perguntas até que as respostas comecem a aparecer organicamente. De tudo isso acredito que a identidade precisa ser a “Nova Política” para que fique claro que não se trata de uma melhoria na atual mas sim um novo vortex da política. Eu acredito!!!!!!!!

    • De acordo, e penso que o que qualificará a Nova Política é compreendermos/construirmos juntos o que isto implica na prática, identificando os valores que lhe são subjacentes, declarando-os e destrinchando o que implica colocá-los em prática.

  3. Olá, Eduardo…
    Fico muito feliz com o caminho do Movimento… resultados de um processo em andamento e não iniciativas eventuais de grupos pontuais…
    Infelizmente, como muitos, não estarei em Brasília… mas o observo o impacto positivo e diferencial que a ferramenta Web tem oferecido ao Movimento (entendendo este como um conjunto de diversos movimentos paralelos e com interesses comuns…). A organzação da sociedade em grupos de afinidade de propósito tem contribuído por uma maior participação das comunidades em Conselhos Municipais e demais fóruns de iniciativa democrática… Entendo que o crescimento de “partidos sem legenda” tende a resgatar o caráter público da gestão pública… Trazer de volta à sociedade o que sempre foi dela… A diluição de oligarquias políticas e a reconstrução conceitual do que seria um “sistema político democrático”…
    Pode contar com os militantes de São Carlos/ SP para essa construção !!!

    • Marceleza,
      Acredito que Nova Política se faz em todos os espaços onde nos dedicamos ao bem comum, e a identidade deste novo movimento deve contemplar esta multidão dispersa da qual muitos fazem parte. Tuas palavras revigoram esta convicção, de que fazemos parte de um “todo” cada vez mais vivo. As redes aos poucos vão superando a força dos grupos que usufruem do poder político para seu próprio benefício, uma hora conseguiremos virar o jogo.
      Abraçøs,
      Eduardo

  4. estou encantado com o conjunto de perguntas que vem me angustiando a cada Eleição, concordo que devemos ter a perceveransa de buscar as respostas e a paciência de aguardar o tempo de cada uma aparecer.
    hoje falta um caminho para dar vazão ao sonho coletivo de votar em gente de vergonha na cara, fico feliz em ver que você já conta com alguns Desbravdores mais experientes, parabéns pelo trabalho e fique certo que ele dará bons resultados.
    A- tenho um humilde site onde pretendo semear a ideia de que a promessa e a razão do voto, a promessa e o motivo da escolha, portanto tão sagrada quanto o próprio voto.
    estou certo que um dia a promessa de campanha será um contrato com clausulas recisorias, e estou ansioso por sujestoes. http://www.votonocontrato.com.br
    B- acredito que o próximo poder politico se dará por um partido horizontal com WebDemocracia. e talvez já seja o garantidor das promessa feitas para captar os votos.
    C- como posso ajudar no movimento seu e de seu amigos?

    de seu discípulo Darceli Roberto Perske Filho, votonocontrato@hotmail.com

  5. ‎.
    Edu

    A Plataforma NING e assemelhadas (Redes P2P) são muuuuito melhores para formação de Redes, Debates, Formulações…

    Fora feitas para isso ! Porque o Movimento está seguindo o Facebook, que é tão limitado ??
    .

  6. Todo movimento é iniciado para cumprir objetivo. Uma vez alcançado o movimento termina. Sem objetivo não existe movimento, existe gente desejando fazer movimento, talvez estamos diante de um movimento que cujo objetivo é fazer perguntas e não responde-las, por falta de objetivo.

  7. Osvaldo

    As perguntas são a Busca…
    Mesmo que sem resposta, são um movimento.
    Respostas são as necessárias etapas da Busca, que incitarão mais perguntas, e mais movimento.
    Mesmo as “não-respostas” são… respostas !
    Acho que talvez haja que se fazer mesmo esta pergunta:
    – Qual o Objetivo ?
    É possível que através desta questão se responda “Quem Somos”, e é fundamental este entendimento.
    A Forma e estruturação deverá se realizar em função do Objetivo, por “Nós”.
    Oxalá a coisa ande !!!
    Abs
    Acauã
    .

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