A América Latina e as 5 formas cotidianas de mudar o Mundo

O Inglês Nic Marks demonstra de forma brilhante como 5 atitudes básicas (Conectar; Ser Ativo; Notar os acontecimentos do mundo; Continuar Aprendendo e Doar) podem fazer uma profunda diferença para transformar a si e ao mundo. Mas antes disso, traz uma leitura muito inspiradora sobre o papel da América Latina no processo de transição civilizatória.

Segue a tradução do texto:

Martin Luther King não disse, “Eu tenho um pesadelo,” quando inspirou os movimentos por direitos civis. Ele disse, “Eu tenho um sonho.” E eu tenho um sonho. Eu tenho um sonho que nós podemos parar de pensar que o futuro será um pesadelo, e que será um desafio, porque, se você pensa no filme com maior sucesso de bilheteria dos últimos tempos, quase todas as previsões para a humanidade são apocalípticas. Acho que este filme é um dos mais difíceis de se assistir da era moderna. “A Estrada.” É uma bela produção do cinema, mas tudo é desolado, tudo está morto. Apenas um pai e filho tentando sobreviver, andando pela estrada. E eu acho que o movimento ambiental do qual eu faço parte tem sido cúmplice em criar essa visão do futuro.

Por muito tempo, vimos disseminando essa visão de pesadelo do que irá acontecer. Estamos focando no pior cenário possível. Temos focado em problemas. E nós não pensamos o suficiente nas soluções. Temos usado o medo, se preferir, para prender a atenção das pessoas. E qualquer psicólogo lhe dirá que o medo no organismo está conectado ao mecanismo de fuga. É parte do mecanismo da luta e de fuga, que quando um animal está amendrotado — pense em um veado. Um veado fica totalmente paralisado, preparado para fugir. E acho que é isso que estamos fazendo quando pedimos para que as pessoas se engajem à nosso objetivo contra degradação ambiental e mudanças climáticas. As pessoas estão congelando e fugindo porque estamos usando o medo. E acho que o movimento ambiental precisa crescer e começar a pensar sobre o que é o progresso.

E como seria melhorar o futuro do homem? E um dos problemas que nós enfrentamos, eu penso, é que as únicas pessoas que tem conquistado o mercado em termos de progresso é uma definição financeira do que o progresso é, uma definição econômica do que o progresso é — que de alguma forma, se conseguirmos aumentar os números corretos, seremos melhores, quer seja no mercado de ações, quer seja no PIB e crescimento econômico, que de alguma forma a vida irá melhorar. Isto é de certa maneira atraente para a cobiça humana em vez de medo — a ideia de que mais é melhor. Qual é. No mundo ocidental, nós temos o suficiente. Talvez algumas partes do mundo não, mas nós temos o suficiente. E já sabemos a bastante tempo que esta não é uma boa medida da riqueza das nações. Na verdade, o arquiteto do nosso sistema contábil nacional, Simion Kuznets, na década de 30, disse que, “A riqueza de uma nação dificilmente pode ser medida com base em sua renda nacional.” Mas nós criamos um sistema contábil nacional que está firmemente baseado na produção e produção de bens. E, de fato, isto é provavelmente histórico, e teve o seu tempo. Na Segunda Guerra Mundial, nós precisamos produzir muitas coisas. E realmente, nós fomos tão bem sucedidos na produção de determinadas coisas que destruímos uma boa parte da Europa, e tivemos que reconstruir depois. E então nosso sistema contábil nacional passou a ser fixado no que nós podemos produzir.

Mas no início de 1968, este homem visionário, Robert Kennedy, no início de sua infeliz campanha presidencial, deu a mais eloquente descontrução do produto nacional bruto que já existiu. E ele terminou sua apresentação com a frase, dizendo que “O produto nacional bruto mede tudo, exceto aquilo que faz a vida valer a pena.” Que loucura é essa? Que a medida do nosso progresso, nossa medida dominante do progresso na sociedade, está medindo tudo exceto aquilo que faz a vida valer a pena? Eu acredito que se Kennedy estivesse vivo hoje, ele estaria pedindo a estatísticos como eu para sair e descobrir o que faz a vida valer a pena. Ele estaria nos pedindo para redesenhar nosso sistema contábil nacional para que se baseasse em coisas importantes como a justiça social, sustentabilidade e a qualidade de vida do povo.

E na verdade, cientistas sociais já saíram e fizeram essas perguntas ao redor do mundo. Isto é de uma pesquisa global. Ela pergunta às pessoas o que elas querem. E surpreendentemente, as pessoas pelo mundo dizem que o que elas querem é felicidade, para elas mesmas, para suas famílias, para suas crianças, suas comunidades. Tudo bem, eles acham que o dinheiro é um pouco importante. Aí está , mas não é tão importante quanto a felicidade, e não é tão importante quanto o amor. Todos nós precisamos amar e sermos amados na vida. Não é tão importante quanto a saúde. Queremos ser saudáveis e ter uma vida plena. Essas parecem ser aspirações humanas normais. Por que os estatísticos não estão mensurando isso? Por que não estamos pensando no progresso das nações de acordo com esses termos, em vez de quanta coisa nós possuímos? E realmente, isto é o que tenho feito com minha vida adulta — é pensar sobre como nós medimos a felicidade, como medimos o bem-estar, como podemos fazer isso dentro dos limites ambientais.

E nós criamos, na organização para qual eu trabalho, a Nova Fundação de Economia, algo que nós chamamos de Índice de Planeta Feliz, porque acreditamos que as pessoas deveriam ser felizes e o planeta deveria ser feliz. Por que nós não criamos uma medida de progresso que demonstre isso? E o que fazemos, é dizermos que o resultado final de uma nação e o quão bem sucedido é na criação de vidas felizes e saudáveis para seus cidadãos. Esse deveria ser o objetivo de cada nação no planeta. Mas nós temos que lembrar que há um registro fundamental para isso, e é quantos recursos do planeta utilizamos. Todos nós temos um planeta. Todos nós devemos compartilhá-lo. Isto é o recurso mais escasso. o único planeta que compartilhamos. E a economia é muito interessada em escassez. Quando há algum recurso escasso que deseja que se transforme em um resultado desejável, pensa-se em termos de eficiência. Pensa-se em termos de qual será o custo do nosso benefício. E esta é uma medida de quanto bem-estar conseguimos pelo uso de recursos do nosso planeta. É uma medida eficiente. E provavelmente a forma mais fácil de demonstrar a você que, para mostrar-lhe este gráfico.

Seguindo horizontalmente ao longo do gráfico, é “pegada ecológica”, que é a medida de quanto recurso utilizamos e quanta pressão nos exercemos sobre o planeta. Mais é ruim. Seguindo verticalmente para cima, está uma medida chamada “felizes anos de vida”.” Trata-se do bem-estar das nações. É como uma felicidade ajustada à expectativa de vida. É como qualidade e quantidade de vida nas nações. E o ponto amarelo que veem aqui, é a média global. Agora, há um grande grupo de nações em torno dessa média global. No topo do lado direito do gráfico, são países que estão se dando relativamente bem produzindo bem-estar, mas estão utilizando muito do planeta para chegar lá. Eles são os Estados Unidos, outros países ocidentais ultrapassando aqueles triângulos e uns poucos países do Golfo realmente. Por outro lado, na parte inferior esquerda do gráfico, estão os países que não estão produzindo muito bem-estar — tipicamente, a Africa Subsaariana. Em termos Hobesianos, a vida é curta e bruta lá. A média de expectativa de vida em muitos desses países é de somente 40 anos. Malaria, HIV/AIDS estão matando pessoas nessas regiões do mundo.

Mas agora as boas notícias! Há alguns países aqui, triângulos amarelos, que estão melhores que a média global, que estão se encaminhando para o canto superior esquerdo do gráfico. Este é um gráfico de aspiração. Nós queremos estar no topo esquerdo, onde vidas boas não custam a terra. Eles são a América Latina. O país no seu próprio topo é um lugar no qual eu não estive. Talvez alguns de vocês tenham estado. Costa Rica. Costa Rica — a expectativa de vida é de 78 anos e meio. Que é maior que dos EUA. Eles são, de acordo com a última pesquisa Gallup, a nação mais feliz do planeta — mais que qualquer um; mais que a Suíça e a Dinamarca. Eles estão no local mais feliz. Eles estão fazendo isso com um quarto dos recursos que usualmente é utilizado no mundo ocidental — um quarto dos recursos.

O que está acontecendo lá? O que está ocorrendo na Costa Rica? Podemos olhar alguns dados. 99% de sua eletricidade provém de recursos renováveis. O governo deles é o primeiro a se comprometer a ser neutro em carbono até 2021. Eles aboliram o exército em 1949 — 1949. E eles investiram em programas sociais — saúde e educação. Eles possuem uma das taxas mais altas de alfabetização da América Latina. e no mundo. E eles tem essa energia Latina, não é. Eles possuem essa conectividade social. Risos O desafio é que – isso é algo em que devemos pensar — é que o futuro pode não estar na América do Norte, pode não estar na Europa Ocidental. Pode estar na América Latina. E o desafio, realmente, é puxar a média global até aqui. Isso é o que precisamos fazer. E se vamos fazer isso, precisamos puxar os países do fundo, e nós precisamos puxar países da parte direita do gráfico. E então começaremos a criar um planeta feliz. Esta é uma forma de se olhar.

Outra forma de se olhar é observar as tendências do tempo. Nós não possuímos informações de todos os países do mundo, mas de alguns dos países mais ricos, o grupo OCDE, nós temos. E esta é a tendência de bem-estar durante esse tempo, um pequeno aumento, mas esta é a tendência em pegada ecológica. E assim em rigorosa metodologia planeta feliz, nós nos tornamos menos eficientes em transformar nosso último e escasso recurso no resultado que nós queremos. E o ponto realmente é, é o que eu acho, provavelmente todos nesta sala gostariam que a sociedade chegasse a 2050 sem algo apocalíptico acontecer. Na verdade não está tão distante. É metade do período de vida de um ser humano. Uma criança entrando na escola hoje terá minha idade em 2050. Isto não é um futuro tão distante. Isto é o que o governo do Reino Unido planeja em emissões de carbono e gases de efeito estufa. E eu digo a vocês que não é o negócio como de costume. Isso está mudando nossos negócios. Isso está mudando a forma como nós criamos nossas organizações. fazemos nossas políticas governamentais e vivemos nossas vidas. E o ponto é, precisamos continuar a aumentar o bem-estar. Ninguém pode ir às urnas e dizer que a qualidade de vida será reduzida. Nenhum de nós, eu acho, quer que o progresso humano pare. Acho que queremos prosseguir. Penso que nós queremos que a humanidade continue crescendo muito. E penso que é aí onde os céticos em mudanças climáticas e opositores entram. Penso que é o que eles querem. Eles querem que a qualidade de vida continue crescendo. Querem manter o que já conseguiram. E se vamos engajá-los, acho que é isso que devemos fazer. E isso significa que precisamos realmente aumentar a eficiência ainda mais.

Agora que é tão mais fácil desenhar gráficos e coisas desse tipo, mas o ponto é que precisamos dobrar aquelas curvas. E aqui é onde eu penso que nós podemos tirar uma folha da teoria de sistemas, sistemas de engenharia, onde eles criaram círculos de feedback, colocar a informação correta no ponto correto do tempo. Seres humanos são muito motivados pelo “agora”. Você coloca um medidor inteligente em sua casa, e veja quanta eletricidade você está utilizando nesse exato momento, quanto está te custando, seus filhos vão desligar as luzes rapidinho. O que isso parece à sociedade? Por que é quê, nas notícias do rádio, todas as noites, eu ouço na FTSE 100, a Dow Jones, a relação entre dólar e libra — Eu nem sei qual é a proporção que o dólar e a libra devem ter para que as notícias sejam boas. E por que eu ouço isso? Por que eu não ouço quanta eletericidade a Inglaterra usou ontem, ou os Estados Unidos usaram ontem? Alcançamos nossa meta anual de três porcento na redução de emissão de carbono? Assim é que se cria um objetivo coletivo. Nós divulgamos na mídia e começamos a pensar sobre isso. E nós precisamos de giros positivos de feedback para aumentar o bem-estar em um nível governamental, eles podem criar contas nacionais de bem-esar. No nível empresarial, você pode olhar para o bem-estar de seus empregados, o qual sabemos que realmente está ligado à criatividade, o qual está ligado à inovação, e nós vamos precisar de muita inovação para lidar com todas essas questões ambientais. Em nível pessoal, nós precisamos muito desses toques também. Talvez não precisemos tanto dos dados, mas necessitamos dos lembretes. No Reino Unidos temos uma forte mensagem de saúde pública sobre comer 5 frutas e vegetais por dia e quanto de exercício nos devemos fazer — nunca é meu assunto favorito. O que isso tem a ver com felicidade? Quais são as 5 coisas que você precisa fazer diariamente para ser feliz?

Nós fizemos um projeto para o Dep. de Ciências do governo há alguns anos, um grande programa chamado programa Foresight — muitas e muitas pessoas — muitos especialistas envolvidos — tudo baseado em evidências — uma enciclopédia. Mas um dos assuntos que tratamos foi: quais são as 5 ações positivas que você pode fazer para melhorar o bem-estar na sua vida? E o ponto disso é que eles não são completamente, o segredo da felicidade, mas são coisas que eu penso que a felicidade pode fluir dali.

E a primeira delas é conectar, seus relacionamentos sociais são os conectores mais importantes da sua vida. Você investe seu tempo com as pessoas que você ama que você poderia investir, e energia? Continue investindo. A segunda é ser ativo. A maneira mais rápida para se livrar do mau humor: saia, vá dar uma caminhada, ligue o rádio e dance. Ser ativo é ótimo para nosso humor positivo. A terceira é notar. O quão atento você é às coisas que acontecem pelo mundo, às mudanças de estação, às pessoas ao seu redor? Você percebe o que está borbulhando dentro de você e tentando emergir? Baseado em muitas evidências por atenção, terapia de comportamento cognitivo, [muito] forte para nosso bem estar. A quarta é continuar aprendendo e manter é importante — aprender durante todo o curso de uma vida. Pessoas mais velhas que continuam aprendendo e são curiosas, elas possuem resultados de saúde muito melhores do que aqueles que começam a se acomodar. Mas não precisa ser educação formal; não é baseado em conhecimento. É mais curiosidade. Pode ser aprender a cozinhar um novo prato, pegar um instrumento que você esqueceu desde a infância. Continuar aprendendo. E a última é a mais “anti-economia” das atividades, doar. Nossa generosidade, nosso altruismo, nossa compaixão, tudo está interconectado ao mecanismo de recompensa do nosso cérebro. Nos sentimos bem se damos algo. Podemos fazer uma experiência onde você dá a dois grupos de pessoas cem dólares de manhã. Você diz a um grupo que é para gastar com eles mesmos e ao outro para gastar com outras pessoas. Meça a felicidade deles no final do dia, aqueles que saíram e gastaram com outras pessoas estão mais felizes do que aqueles que gastaram consigo.

E essas cinco formas, que colocamos nesses postais, Eu diria, elas não precisam custar a terra. Elas não possuem nenhum conteúdo de carbono. Elas não precisam de muitos bens materiais para estarem satisfeitas. E eu penso que é muito plausível que a felicidade não custe a terra. Agora, Martin Luther King, à beira de sua morte, deu um discurso incrível. Ele disse, “Eu sei que existem desafios à frente, que pode haver problemas adiante, mas não os temo. Não me importo. Estive no alto da montanha, e vi a Terra Prometida.” Agora, ele foi um pregador, mas eu acredito que o movimento ambiental e, na verdade, a comunidade de empresários, o governo, precisam subir ao topo da montanha, e precisam olhar, e ver a Terra Prometida, ou a terra da promessa, e precisam ter uma visão de um mundo que todos nós queremos. E não somente que, nós precisamos criar uma Grande Transição para chegar lá, e precisamos pavimentar a grande transição com coisas boas.

Seres humanos querem ser felizes. Prepare-os com as cinco formas. E precisamos ter sinalizadores reunir pessoas e direcioná-los — algo como o Índice Planeta Feliz. E então eu acredito que todos nós poderemos criar o mundo que queremos, onde a felicidade não custe a terra.

Aplausos

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