MovMarina Fase 6: Pós –Campanha

Características: sensação de vitória; participação na decisão de Marina pela posição independente; abertura para avaliação e reflexão de rumos; continuidade das Casas de Marina; sistematização da experiência; quietude.

Encerrada a campanha, com a apuração dos votos, a sensação de vitória era onipresente. E, imediatamente, questão “quem Marina irá apoiar no segundo turno” tornou-se o principal assunto nos jornais e na internet, e o Movimento um dos principais espaços para sondagem da questão “para onde os votos de Marina irão migrar”. O assédio ao site do Movimento foi tão intenso que a inscrição de novos membros precisou ser suspensa, bem como fóruns de discussão relacionados `a posiçãod e segundo turno.

Marina decidiu submeter-se a um processo participativo de diálogo para tomar sua posição, na qual uma consulta aos “núcleos vivos da sociedade” teve papel central. No encontro presencial no qual compareceram cerca de 90 pessoas. Ainda que dentre estas apenas 6 pessoas apenas tivessem sido convidadas como representantes do Movimento Marina Silva, praticamente metade identificou-se como “Movimento Marina Silva” em sua apresentação pessoal.

A posição favorável à independência (ou seja, não apoiar algum dos dois candidatos) de Marina esteve presente em praticamente todas as falas, com nenhuma fala em contrário. Muitos argumentos diferentes ilustravam uma razão em comum: o comprometimento com um ou outro candidato prejudica a possibilidade de levar adiante um projeto político novo e inovador. Mantendo-se independente, mesmo que isto signifique perdas na possibilidade de compor governos em curto e médio prazo, abre-se um espaço mais livre para construir “o novo jeito de fazer política”.

A clara convergência deixou os “representantes dos núcleos vivos” mais convictos e seguros para defender publicamente a posição de independência Marina. A convenção do PV realizada alguns dias depois para deliberar um posicionamento contou com a participação de cinco membros do Movimento com direito a voz e voto, que por sua vez sustentaram a posição pró-independência.

Feita a definição, o Movimento dispersou-se, e o site passou a ser alvo de campanha para os candidatos que se mantiveram na disputa.

A equipe dos 10 realizou uma reunião de encerramento e assumiu alguns compromissos para apoiar a transição para uma nova fase, com a consciência de que uma profunda mudança na própria identidade do Movimento possa vir a acontecer. O compromisso básico assumido foi o de apoiar a emergencia de ações de continuidade da experiência do Movimento.

Como o propósito de discutir outras candidaturas não cabia ao site, os espaços de discussão foram retirados da primeira página. Foi criado um forum de avaliação da atuação do Movimento na campanha, e outro forum para uma discussão aberta dos próximos passos e uma sistematização participativa das propostas foi iniciada.

No momento em que escrevo este relato, o processo continua em aberto, mas já podemos identificar que as Casas de Marina se apresenta como principal ação de continuidade, e por isso o grupo de responsáveis pela ação durante a campanha já iniciou a construção de um projeto de continuidade.

Surgem à tona diversas questões a respeito da própria identidade do Movimento – tais como o nome, o objetivo e a relação da Marina com o Movimento. Parece que a identidade forjada durante a campanha e o tipo de vínculo com Marina e o “Grupo de Marina” já não parece fazer sentido no novo contexto; o “novo jeito de fazer política” pede uma demonstração mais sólida do que significa; e as pessoas que lideraram o processo constelam ideias bastante diferenciadas sobre os caminhos a seguir nesta construção.

É uma fase de reflexão, de quietudes, de observação de si e tomada de consciência sobre a experiência vivida. Neste sentido, o grupo de transição aposta na sistematização da experiência do Movimento, como subsídio para quaisquer iniciativas que venham a surgir adiante. Talvez este seja o momento mais propício para experienciarmos verdadeiramente “o novo jeito de fazer política”.

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2 responses to “MovMarina Fase 6: Pós –Campanha

  1. Talvez este seja o momento mais propício para experienciarmos verdadeiramente “o novo jeito de fazer política”…. que não deve demorar muito!
    O vazio sentido por mim talvez também seja sentido por outros. O tempo continua sendo uma mola de transformações (para melhor ou pior) e, com o atual modelo, não podemos esperar as vésperas de 2014 para começar uma nova manifestação-relâmpago.
    Escrevi justamente sobre isso em MMS – Para onde queremos ir? Propostas e Projetos de Mudança Positiva – http://compromissoconsciente.blogspot.com/2011/01/mms-para-onde-queremos-ir-propostas-e.html

    Gostei por demais do histórico que compuseste, Eduardo.
    Particularmente, sou da linha que, ao mesmo tempo em que professamos nossos valores, temos de denunciar as sujeiras. Isto envolve o cansativo (e nojento) trabalho de “mostrar os podres”, mas, tal qual a compostagem dos detritos orgânicos em adubo, se não realizarmos a metamorfose do atual modelo, como iremos vivenciar a mudança positiva?

    Abraços Verdes, da Cor da Natureza!
    Marise Jalowitzki
    Escritora
    marisej@terra.com.br
    http://www.compromissoconsciente.blogspot.com
    Porto Alegre – RS – Brasil

    (Vou transcrever este teu post em meu blog, ok?)

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